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sábado, 5 de maio de 2012

Características do esgoto

O esgoto é a água após ter sido utilizada para algum fim e consequentemente tem as suas propriedades e características naturais alteradas. Sobre isso Jordão e outros (1995, p.19) entendem que
Hoje este termo é usado quase que apenas para caracterizar os despejos provenientes das diversas modalidades do uso e da origem das águas, tais como as de uso doméstico, comercial, industrial, as de utilidades públicas, de áreas agrícolas, de superfície, de infiltração, pluviais, e outros efluentes sanitários.                                              

Além disso, Jordão (1995) acrescenta que o uso do termo “esgoto” tem uma aversão injustificada. Por isso, alguns estudiosos passaram a empregar o termo “águas residuárias”, que exprime a tradução literal da palavra “wastewater”. Logo, a sigla ETAR – Estação de Tratamento de Águas Residuárias está se confrontando com a tradicional ETE – Estação de Tratamento de Esgoto.
Examinar as características físicas, químicas e biológicas do esgoto é de suma importância, pois contribui para a definição da forma e do tipo de tratamento adequado. A caracterização analítica do líquido é obtida através de análises biológicas e físico-químicas, que indicam sua composição básica e as possíveis influências no meio ambiente.


1 Características físicas


Ao dissertar sobre características da água baseadas nos conceitos de Jordão e outros (1995, p. 24) verifica-se que “As características físicas do esgoto podem ser interpretadas pela obtenção das grandezas correspondentes às seguintes determinações: matéria sólida, temperatura, odor, cor e turbidez”. De acordo com Jordão e outros (1995) tem-se os parâmetros físicos a citar.

a)    matéria sólida: é considerada a de maior importância, em relação a estações de        tratamento, pelo fato da sua remoção necessitar passar por várias etapas de tratamento;

b)    temperatura: é um pouco superior à das águas de abastecimento, isso devido aos  despejos domésticos, industriais, que aquecem a água e logo aumenta a temperatura. Além disso, a determinação deste parâmetro é bastante utilizada nas operações de natureza biológica;

c)    odor: presente nos esgotos é devido aos gases resultantes e formados durante a decomposição, por exemplo, quando ocorre a formação de gás sulfídrico proveniente da decomposição do lodo contido nos despejos; decomposição de produtos orgânicos, ácidos, sulfurosos;

d)    cor e turbidez: estes revelam o estado de decomposição do esgoto. A cor cinza é característica do esgoto fresco, já a preta é do esgoto velho e quando apresenta uma decomposição parcial, e podem ter outras cores devido aos despejos industriais. A turbidez é usada para analisar o grau de eficiência do tratamento secundário, por causa dos sólidos em suspensão que são removidos nesta etapa do tratamento.                


2 Características químicas


Como explicam Jordão e outros (1995, p. 31) “a origem dos esgotos permite classificar as características químicas em dois grandes grupos: matéria orgânica e da matéria inorgânica”.

Sperling (2005) ainda acrescenta que uma característica muito relevante como aspecto químico é o potencial hidrogeniônico (pH). Este representa a concentração de íons hidrogênio em escala antilogarítmica, o que fornece se a água está ácida, básica ou alcalina, dentro da faixa de 0 a 14. É importante nas etapas do tratamento da água como a coagulação, desinfecção, controle da corrosividade, remoção da dureza. Além disso, o pH baixo tem potencial de corroer e agredir tubulações de águas, enquanto o pH elevado favorece a incrustações de tubulações, peças de abastecimento e afeta a vida aquática, inclusive os microrganismos que são responsáveis pelo tratamento biológico dos esgotos. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Matéria orgânica do esgoto

A respeito disso Jordão e outros (1995, p. 31) esclarecem “Os grupos de substâncias orgânicas nos esgotos são constituídos principalmente por: compostos de proteínas (40 a 60%); carboidratos (25 a 50%); gordura e óleos (10%) e uréia, surfactantes, fenóis, pesticidas (típicos de despejos industriais, em quantidade), etc.” Esses serão explicados a seguir:

a)    proteínas: “são produtoras de nitrogênio e contém carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, algumas vezes fósforo, enxofre e ferro” (Jordão et. al., 1995, p. 31). Através da decomposição há geração de odores desagradáveis, que é o caso do gás sulfídrico presente nos esgotos, proveniente do enxofre fornecido pelas proteínas. É importante ressaltar que o nitrogênio e o fósforo têm papéis importantes no tratamento biológico. O nitrogênio encontra-se de diversas formas nas águas residuárias. Como nitrogênio orgânico, amônia, nitrito, nitrato. O Nitrogênio total inclui todos citados anteriormente e é “[...] um nutriente indispensável para o desenvolvimento dos microrganismos no tratamento biológico” (Jordão et. al, 1995, p.86). Já o Fósforo orgânico, que fica combinado à matéria orgânica e da forma inorgânica, a qual é absorvida pelas plantas conhecido como ortofosfato e polifosfato. Ambos os nutrientes são considerados como macro-nutrientes, por esse motivo tão indispensáveis no tratamento de águas residuárias.

b)    carboidratos: são as primeiras substâncias a serem destruídas pelas bactérias, e também produzem ácidos  pelo  processo de degradação.

c)    gordura: presente no esgoto devido ao elevado consumo de alimentos que contém óleos e também pelo uso de derivados do petróleo. Estas substâncias orgânicas aderem às paredes, produzem odores desagradáveis, formam “escuma”, matéria flutuante nos decantadores, ficam na interface ar-água e interferem na introdução de oxigênio, modificando a vida biológica e também podem gerar problemas de entupimento nos filtros (JORDÃO et. al., 1995).

d)    surfactante: constituído de moléculas orgânicas, que tem como característica modificar as propriedades superficiais e interfaciais de um líquido, o que gera uma espuma estável e de difícil remoção tanto na estação de tratamento quanto no corpo receptor (JORDÃO et. al, 1995).

e)    fenóis: são oriundos de despejos industriais, formados por compostos orgânicos, e tem a característica de causar gosto e odor à água.

f)     pesticidas e demais compostos orgânicos: usados na agricultura, atingem rios e corpos receptores, causam toxicidade e poluição aos seres vivos aquáticos, alterando o seu meio.

Referência bibliográfica: ARAÚJO, José Carlos de. ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICA PARA IMPLANTAÇÃO DE WETLAND COMO UNIDADE COMPLEMENTAR DO TRATAMENTO DE ESGOTOS DO BAIRRO JACUÍ EM JOÃO MONLEVADE-MG. Monografia de conclusão do curso de Engenharia Ambiental na Universidade do Estado de Minas Gerais. Pág. 28 a 29. 2010